Home > Notícias > Decathlon quer 100 lojas no brasil e 200 marcas próprias

Notícias

Decathlon quer 100 lojas no brasil e 200 marcas próprias

11 janeiro 2018 | Notícias do Varejo

Após 16 anos atuando no Brasil, o varejista francês de artigos esportivos Decathlon começou no ano passado a trilhar novos caminhos, investindo em lojas menores e em regiões mais centralizadas.Com plano de chegar a 100 unidades nos próximos dez anos, a empresa quer investir mais na produção nacional e aumentar também suas marcas próprias, que já representam 85% do faturamento.

Em entrevista exclusiva ao DCI, o CEO da Decathlon no Brasil, Cedric Burel, afirmou que não vê limite para as marcas próprias. “Podemos chegar a 100, 200 marcas próprias nos próximos cinco anos”, disse. A seguir, veja os principais trechos da entrevista:

A Decathlon está abrindo algumas operações menores e em regiões mais centrais. Por que decidiram mudar o perfil das lojas?

Não mudamos a estratégia, mas estamos complementando. Continuamos com foco prioritário nas lojas grandes, de 3 mil a 4 mil m². O que estamos fazendo é complementar para conseguir atingir mais esportistas, em lugares que não estávamos presentes. No caso dessa loja da Paulista, por exemplo, vai ser uma loja de 2,5 mil m² e vai permitir atingir a população da região da Bela Vista, Jardins, que antes não tinha uma loja perto. Estamos mapeando mais a cidade e tentando entrar no coração. Queremos colocar também lojas menores em cidades do interior dos estados. Esse movimento permite uma aproximação maior. O consumidor que quer uma compra de impulso não precisa se deslocar e vai ter um lugar mais perto.

As lojas menores têm a ver com a questão da conveniência então?

Exatamente. Estamos vendo que os esportistas frequentam as lojas a cada um ou dois meses. Para uma pequena compra, de bolas de tênis, por exemplo, a distância muitas vezes pode ser um impedimento. O consumidor não vai andar 40 minutos de carro para uma compra pequena. Vimos que o negócio está indo bem, com bons resultados e por isso estamos confiantes.

Vocês têm um formato em que oferecem um preço baixo porque os custos também são baixos. Abrir uma loja na Av. Paulista, onde o aluguel é mais caro, não pode mudar essa dinâmica?

Os preços vão ser os mesmos. Agora, em termos de margem vamos descobrir com o tempo, porque depende muito do volume. Mas a expectativa para essas lojas menores é que o custo seja alto, mas do outro lado o faturamento também seja alto, devido ao grande fluxo. Como nosso modelo tem uma operação eficiente, se a loja fatura bem ela se rentabiliza. Mas os preços vão ser os mesmo e a expectativa é que o faturamento compense os custos mais altos.

Vocês estão com o plano de chegar a 100 lojas em dez anos. Das 77 que ainda faltam a maioria vai ser nesse formato de lojas menores?

Não vai ter essa de maioria. Vai ser um mix. Vamos continuar investindo em lojas grandes, de 4 mil m², 3 mil m², mas vamos ter também lojas um pouco menores. É difícil falar como será a divisão porque temos lojas de 1,5 mil m², 2,5 mil m². Tem uma variedade muito grande de formatos que podemos explorar.

Nos últimos anos vocês têm crescido o faturamento a um ritmo de 15%. Vocês não sentiram o impacto da crise?

Não sentimos, não dá para reclamar. Mas para certas linhas de produtos tivemos que fazer um esforço grande para reduzir os preços. No ano passado, quando o dólar aumentou infelizmente tivemos que subir também, mas quando o dólar caiu diminuímos novamente. Tivemos em 2016 queda significativa dos preços.

De quanto por cento?

De 10% em algumas categorias de produtos. Isso, aliado a uma mudança do mix, ajudou bastante a vender na crise e ter um bom resultado. Mexemos um pouco no mix, trazendo produtos técnicos, para esportistas mais engajados. Além disso, quem pratica esporte não deixou de praticar pela crise e como temos o cuidado de ter um mix bom com um custo benefício forte, quando a situação aperta isso até ajuda. O consumidor acaba pesquisando mais e buscando as lojas mais baratas. Isso nos ajudou e tivemos bons resultados e em 2017 também subimos em torno de 15%.

Em 2016, vocês atingiram o breakeven pela primeira vez. Poderia comentar?

Foi uma marca importante e o mais interessante foi fazer isso no meio da crise. Foi consequência de vários acertos do modelo, e da competência da equipe. Isso deu mais confiança para a matriz sobre nossa capacidade de investir. A matriz vê que é uma operação que está dando lucro e isso dá uma autonomia maior para acelerar a abertura de lojas.

Hoje a operação brasileira tem uma representatividade grande no negocio global?

Não, ainda é muito pequena. Temos mais ou menos 1.300 lojas, e aqui no Brasil apenas 23. A Decathlon está em uma fase de expansão mundial muito forte, abrindo muitas lojas em vários países. Abrimos no ano passado no México, acabamos de abrir na Colômbia e vamos abrir no Chile. São vários projetos, e conforme a Decathlon abre mais no mundo o peso do Brasil vai diminuindo.

Poderia falar sobre marcas próprias, que é uma aposta grande da Decathlon?

Estamos com 22 marcas próprias e criando novas. Temos nossas marcas, e dentro delas estamos criando novas por esporte. Tínhamos uma marca de fitness, por exemplo, e dentro da categoria temos dança, cardio training, crossfit, e estamos subdividindo cada uma delas em marcas diferentes. Não tem limite e acho que já podemos chegar a 100 ou 200 marcas próprias ao longo dos próximos cinco anos.

Hoje as marcas próprias representam quanto por cento do faturamento? E vocês querem crescer a fatia?

Hoje já representa 85% do faturamento. É muito forte. E sobre crescer, depende muito do cliente. Quando o consumidor vem na loja e escolhe uma marca própria ao invés de outra, tem um momento que vemos que não está mais vendendo a outra marca e tiramos do mix. Os 15% que não são de marca própria temos porque os clientes estão pedindo.

A produção nacional também poderia contribuir para reduzir o preço. Vocês estão investindo nisso?

Tem três pontos com a produção nacional. O primeiro é adaptar ao gosto do consumidor. O gosto do brasileiro é diferente do europeu, então temos que fazer um produto diferente. Tem a questão do preço que você citou, uma vez que produzindo aqui em algumas categorias conseguimos um preço melhor e o terceiro ponto é o prazo de abastecimento. Quando compramos do exterior temos que planejar com muita antecedência e corremos o risco de errar. Por isso, queremos aumentar a produção nacional, que atualmente é de 15% do faturamento.

Querem subir para quanto?

Não tem uma meta, vai depender muito da possibilidade. Se eu pudesse produzir 100% aqui eu faria, se fosse mais barato do que importar. Mas isso não existe hoje, não dá para produzir tudo aqui, porque em alguns departamentos a indústria não é competitiva. Isso depende muito também da legislação e do estado da indústria no Brasil.

A venda on-line também é uma aposta de vocês?

O e-commerce de modo geral ainda é pequeno no Brasil. Quando você compara com números norte-americanos ou até europeus, no Brasil ainda está para acontecer. Mas é uma aposta alta, acreditamos que isso vai ser uma das grandes alavancas.
Fonte: DCI

decathlon
Este portal e suas ferramentas utilizam cookies para seu perfeito funcionamento como descrito nas políticas do site. Se quiser saber mais ou quiser bloquear os cookies veja aqui. Política de cookies.
Ao fechar esta banner, rolar esta página, clicar em um link ou continuar a navegação de qualquer outra forma, você concorda com o uso de cookies. Aceito